Há momentos em nossas vidas que parecem uma caixinha de surpresas, e assim aconteceu comigo nos anos de 2010 a 2011.

Cursava o técnico em Administração na ETEC Gino Rezaghi e no último semestre ficamos sabendo do programa que o governo tinha criado para os estudantes do Centro Paula Souza, o Intercâmbio Cultural.

Não imaginava que minha vida estava prestes a mudar, afinal, como um estudante de família humilde que trabalhava para ajudar sua mãe a sustentar a casa poderia pensar em viajar para o mundo a fora? Essa era minha realidade naquele momento.

Quando fomos comunicados da oportunidade do Intercâmbio Cultural e os critérios para poder participar, logo meus amigos de classe me incentivaram a me inscrever para a seleção do concurso do intercâmbio. Eu estava receoso, mas recebi um conselho de uma amiga, Kelly Ribeiro: "Amigo, o NÃO nós já temos, o que podemos conseguir é o SIM". Essas palavras me motivaram a realizar minha inscrição.

Quando recebi o resultado na sala se aula foi um impacto para mim. Era uma noite de verão com céu estrelado, estávamos tendo aula com o professor Rodrigo Malentach, e a notícia veio: “Parabéns, Rodrigo! Você foi selecionado para o Intercâmbio Cultural”. Minha reação era como se eu estivesse congelado, fiquei estagnado, não sabia o que dizer, só recordo que saiu um “muito obrigado”. Ao chegar em casa e falar para a minha mãe o que havia acontecido foi nesse momento que realmente caiu a ficha de que eu havia sido contemplado com o Intercâmbio Cultural e as lágrimas foram inevitáveis.

Iniciava uma nova jornada em minha vida. Comecei a me organizar, as condições eu não tinha na época, mas tinha fé de que tudo daria certo e assim foi.

Com as malas prontas estava eu no aeroporto Internacional de Guarulhos, mais uma vez não conseguia compreender o que acontecia (era como se eu estivesse fora de mim), você pode até rir, mas nunca havia voado de avião antes. Estava indo para uma nova nação, o qual eu nem sabia falar inglês, acho que as únicas palavras do me vocabulário era "Sorry, i don't speak english" (desculpa, eu não falo inglês). Eu estava encarando o desafio e em 03 de setembro de 2011 estava viajando para a cidade de Chicago em Illinois nos Estados Unidos.

As experiências vividas em Chicago foram as melhores e inesquecíveis, algumas delas que irei compartilhar aqui.

Logo no primeiro dia quando cheguei na casa da Host Family (é o nome dado para o local onde ficamos hospedados e em tradução livre é família de acolhimento) conheci a Sra. Laurie e o Sr Tim. Laurie me pediu para ir conhecer a escola onde iríamos estudar, mas fui junto com um japonês que havia acabado de chegar também na Host Family. Você pode me perguntar: como assim Rodrigo? Você disse que não sabia falar inglês! Como você entendeu o que a Sra. Laurie lhe disse? Ah, meu amigo e minha amiga, todo o brasileiro consegue dar o seu jeitinho. Eu havia levado o meu computador e a Sra. Laurie me cedeu a senha da wifi, logo nós ligamos o computador e usamos o Google tradutor, assim eu consegui me comunicar nos primeiros dias com a dona da casa. Eu e o japonês fomos conhecer a escola, até aí tudo bem, mas na volta... Perdemos-nos, não sabíamos o caminho para chegar até o local onde estávamos hospedados. Demorou muito, mas conseguimos encontrar o caminho de volta.

Quando você chega na Kaplan, a escola que iremos passar as próximas quatros semanas estudando, nós temos um teste de proficiência no inglês que define o seu nível de conhecimento. Digo-lhes uma coisa, NUNCA CHUTE nesse teste, sabe porquê? Eu com os chutes fui para um nível intermediário. Resultado na sala de aula: não entendia nada! Tive que pedir aos meus amigos que falavam inglês para me ajudarem a trocar de turma.

A alimentação, acho que vocês já devem deduzir, é composta basicamente por fast foods. Tem alguns restaurantes próximos da Kaplan onde a alimentação custava U$ 10,00. Com o que o governo cedia de bolsa alimentação (U$ 100,00 por semana) o valor dá tranquilamente, mas estar em uma cidade que tem de tudo para descobrir, não perdíamos tempo, então em muitos casos íamos para os lanches. Mas há outras estratégias, você pode procurar os supermercados, pois vendem comidas congeladas e/ou você comprar coisas mais saudáveis. Creio que você nuca valorizou um arroz, feijão e bife como nós todos que estávamos lá que queríamos comer isso.

Conhecer a cidade, aqui é a melhor parte! Chicago conta com uma história fabulosa, vale a pena pesquisar sobre ela. Eu e meus amigos do intercambio montamos roteiros de passeio após as aulas para conhecer a cidade. Posso dizer que Chicago tem uma magia espetacular, é o ar da música, do teatro, da liberdade... Não pense que tudo são “flores”, a cidade tem problemas assim como temos no Brasil.

Um dos pontos turísticos mais impactantes é o Skydeck, um edifício de 103 andares que conta com uma vista impecável. Sentir-se próximo ao pôr do sol é a melhor parte, o contraste de cores que surge no meio urbano é lindo.

O Navy Pier é tipo uma doca que tem parque de diversão. Neste lugar fomos duas vezes, de manhã para aproveitar o dia, e à noite, quando haveria uma queima de fogos. Você passa um dia inteiro ali tranquilamente.

 

Agora você pode me perguntar: “E você, não estudava?” Sim, claro que estudava! O ensino na Kaplan é bem puxado, entrávamos às 8:00 horas da manhã e saíamos às 11:45, tinham muitos exercícios todos os dias para fazermos. Eu e mais uma amiga usamos o Facebook com vídeo chamadas para ajudar uns aos outros nas lições de casa, mas nesse processo é o que o de mais interessante começa a acontecer. Você está aprendendo o inglês sem saber, as palavras começam a ficar mais fáceis de entender, você já entende o contexto de pequenas frases. No meio disso tudo aconteceu algo inesperado na segunda semana, a Sra. Laurie me chamou no corredor da casa e conversou comigo, o seguinte:

–Parabéns, Rodrigo! Você foi muito corajoso em vir para os Estados Unidos da América sem falar inglês. Você melhorou muito o seu inglês, continue com os seus estudos no Brasil.

Nesse momento eu me emocionei, não acreditava que estava entendendo outro idioma que nunca havia falado, minha maior curiosidade era saber como se aprende inglês e eu descobri falando. Desse momento em diante mudou a minha visão de mundo e de vida.

Meus amigos e amigas finalmente chegaram ao fim do relato da minha experiência emocionante! Você volta repleto de inspirações, saudades e de muitas alegrias. O meu conselho para você é acreditar, independente das condições, tenha fé! Pois eu consegui e você pode.

A ETEC Gino Rezaghi e o Centro Paula Souza me deram essa oportunidade e eu abracei para viver experiências inimagináveis, que só trouxeram benefícios para a minha vida e influenciou na escolha da área que estou cursando hoje na faculdade, Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda. Uma coisa é certa, como dizia na etiqueta da STB (Student Travel Bureau): “Você sempre volta diferente de uma viagem”.

 

Por Rodrigo Medeiros

Formado em Técnico em Administração – ETEC Gino Rezaghi

Estudante de Publicidade e Propaganda – FACCAMP (Faculdade Campo Limpo Paulista)

Um Voo Inesquecível

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